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Rio Negrinho: comunidade e vereadores cobram explicações da Prefeitura sobre possíveis fechamentos de unidades de ensino

Rio Negrinho: comunidade e vereadores cobram explicações da Prefeitura sobre possíveis fechamentos de unidades de ensino

Rio Negrinho: comunidade e vereadores cobram explicações da Prefeitura sobre possíveis fechamentos de unidades de ensino

 

RIO NEGRINHO. O possível fechamento da Escola Municipal de Educação Básica Integral (EMEBI) Padre Doutor Tomás Gasser, na comunidade de Serro Azul, no Distrito de Volta Grande, e do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Arco-Íris, no bairro Cruzeiro, tem causado forte repercussão entre vereadores, pais e o Conselho Municipal de Educação.

A medida da Secretaria Municipal de Educação prevê o remanejamento dos alunos para outras unidades de ensino, como a Escola Pioneiro Marcelino Stoeberl, em Volta Grande. Já os alunos do CMEI Arco-Íris serão remanejados, segundo informações dos pais, para o CMEI Algodão Doce. A EMEBI Padre Tomás Gasser funciona em tempo integral e compartilha o prédio com o CMEI Chapeuzinho Vermelho. O fechamento, segundo a Secretaria Municipal de Educação, seria motivado por questões estruturais e financeiras.

Conselho Municipal critica falta de transparência

O presidente do Conselho Municipal de Educação (CME), Tcharles Purim, conversou com a reportagem aqui do Nossas Notícias sobre o anúncio feito pela Prefeitura, mas ressaltou que não foi consultado antes da decisão. “Não houve qualquer apresentação de dados, estudos ou justificativas técnicas que embasassem essa decisão, tampouco participação prévia do conselho no processo de discussão. Fomos informados somente após a deliberação já ter sido tomada pela gestão municipal”, afirmou Purim.

O presidente do CME também se manifestou pessoalmente sobre o papel histórico da escola. “Como ex-morador do Serro Azul e ex-aluno da EMEBI Padre Doutor Tomás Gasser, não posso deixar de expressar minha tristeza. Essa escola tem história, identidade e importância social para as famílias da comunidade. Será justo que crianças de quatro anos passem até 1h30 dentro de um ônibus, enfrentando estradas precárias, só para chegar à escola?”, questionou.

Ele também criticou o enfraquecimento dos serviços públicos na região. “Nos últimos anos, Serro Azul tem sido esquecida. Já tiraram o médico especialista, o Natal Encantado e agora a escola. Aos poucos, tudo o que a comunidade conquistou está sendo desfeito”, desabafou.

Vereadores cobram explicações e criticam decisão

Na sessão da Câmara de Vereadores desta segunda-feira (6), um requerimento assinado pelos vereadores Anderson Patrick de Castro (PP), Manoel Alves Neto, o Maneco (UB), e Nedlin Sacht Padilha (Novo), pediu explicações à Secretaria de Educação sobre o fechamento da escola e o remanejamento dos alunos. O documento solicita informações sobre a realização de reuniões com pais, o tempo de deslocamento até Volta Grande e como será mantido o período integral, o que é, segundo eles essencial para famílias trabalhadoras da região.

Durante o debate, os parlamentares demonstraram preocupação e indignação com a falta de diálogo. O vereador Andi Castro relatou que esteve na localidade com o vereador Maneco e que foi procurado por pais e professores preocupados com rumores sobre o fechamento. Ele explicou que a principal preocupação é o fato de a escola do Serro Azul oferecer ensino em período integral, o que facilita a rotina de famílias que trabalham na empresa que se instalou na região.

“O problema não é os alunos irem para o Marcelino (Stoeberl). O problema é que hoje no Serro Azul a unidade é período integral. Agora, com a empresa contratando funcionários, vemos a necessidade de os pais poderem continuar deixando seus filhos na escola integral”, disse. Andi ainda questionou se o ensino integral será implantado também na Escola Marcelino, caso a mudança ocorra, e cobrou atenção com o deslocamento das crianças.

“Temos que pensar na segurança dos alunos. Alguns vão percorrer quase 30 quilômetros. Teremos monitores suficientes para acompanhar essas crianças? Já pensaram em tudo isso?”, indagou ainda o parlamentar. O vereador também destacou que não basta investir em novos ônibus, se as estradas continuam ruins. “A questão não é colocar ônibus novo. Se nós não temos estradas boas no interior, não adianta ônibus novo. A primeira coisa é infraestrutura”, afirmou. Andi também defendeu o diálogo entre o poder público e os moradores. “A gente pede que o prefeito olhe com carinho, vá lá, discuta, ouça a comunidade”, sugeriu.

Falta de respeito

O vereador Maneco reforçou a insatisfação da comunidade e relatou falta de respeito por parte da Secretaria de Educação. “Alguns dias atrás recebemos correspondência de que havia sido repassado um recurso para o CMEI Chapeuzinho Vermelho e para EMEBI Padre Doutor Tomás Gasser, conquistado pela própria comunidade, que correu atrás, buscou apoio de um deputado e conseguiu articular esse investimento”, citou.

Maneco também denunciou que uma reunião marcada com os moradores foi cancelada sem explicações. “A reunião estava marcada para sexta-feira, às 13h30. O pessoal já estava mobilizado desde quinta-feira. Na sexta-feira, a secretária foi até lá dizer que não haveria reunião e que não queria saber do pessoal do assentamento. Uma professora confirmou isso pra nós, e até filmaram o momento. É uma falta de respeito enorme com o povo daquela comunidade”, destacou.

O vereador lamentou o distanciamento entre a gestão e a população. “Está mais do que na hora de parar com essa briga de esquerda e direita que só atrasa o país. O que está em jogo aqui é o futuro das nossas crianças e o direito das famílias do campo”, encerrou o parlamentar.

Já o vereador Nilson Sebastião Barbosa (PL) disse que visitou as unidades e encontrou problemas estruturais sérios, como rachaduras e falhas elétricas que impedem o uso de ar-condicionado. “Não quero o fechamento, mas é preciso repensar a estrutura. Pedi ao prefeito que estude a melhor solução e converse com a comunidade antes de qualquer decisão. O prefeito não quer prejudicar ninguém, mas precisamos garantir a segurança e a qualidade do ensino”, disse.

Segundo ele, muitos alunos que estão com notas zeradas. “‘ Todas as crianças estão misturadas, eu estive conversando com a própria diretora. Tem criança lá hoje que com zero de nota. Você quer para o seu filho isso? Eu não quero” destacou o parlamentar. 

Transparência

“Acredito que é um requerimento bem respeitoso, até porque a gente traz aqui os anseios daquela comunidade. Acho que é importante reavaliar a situação. O CMEI está numa situação precária, precisa de reforma e revitalização”, afirmou Nedlin que reforçou a necessidade de mais transparência nas ações do poder executivo. Para o parlamentar, a solução não está em fechar as unidades, mas em planejar o futuro. “Não é fechar e levar as crianças para outro local, é trabalhar em cima de uma reforma, talvez até de uma ampliação, pensando numa projeção para o interior”, disse.

Ele também destacou que o fechamento pode gerar reflexos sociais e econômicos. “Muitas mães talvez não consigam destinar seus filhos para outra instituição e vão ter que sair do emprego. É uma perda grande tanto para a criança quanto para a família”, opinou.

O presidente do legislativo, Rodrigo dos Santos, popular Dido (PL), explicou que, segundo informações do Executivo, a intenção seria manter o CMEI Chapeuzinho Vermelho e transferir apenas os alunos do ensino fundamental. “Temos do primeiro ao quinto ano todos numa sala, são 18 ou 20 alunos com uma professora só. Isso prejudica muito a aprendizagem. A professora divide o quadro em cinco partes e ensina por grupos. Assim não há qualidade de ensino”, citou.

Dido disse que a intenção da Prefeitura seria manter o CMEI aberto e transferir os alunos do fundamental para a Escola Marcelino Stoeberl, mas admitiu que o principal desafio é o fim do período integral. O vereador reconheceu o esforço da equipe escolar e da diretora, mas ressaltou que é preciso pensar na qualidade do ensino. “A escola é um lugar para as crianças aprenderem, tem que ter qualidade. Não é apenas um lugar para deixá-las enquanto os pais trabalham”, frisou.

Dido ainda lembrou que o desempenho dos alunos influencia nos índices do município. “A nota baixa prejudica o IDEB e o repasse do Fundeb. Isso também precisa ser levado em consideração”, enfatizou o parlamentar que destacou ainda que a região vive um momento de crescimento e que qualquer decisão deve considerar o desenvolvimento do Serro Azul. “Sabemos da empresa que se instalou lá, da pavimentação que vem pela frente. Essa é uma localidade com potencial. A decisão não pode ser tomada de um dia para o outro”, comentou.

Pais também relatam fechamento do CMEI Arco-Íris

Enquanto isso, pais de alunos do CMEI Arco-Íris, no bairro Cruzeiro, também denunciaram o encerramento das atividades da unidade. O local atende cinco turmas de berçário e maternal e, segundo relatos para a equipe do Nossas Notícias, as famílias foram informadas apenas por bilhete de que a rematrícula deverá ser feita no CMEI Algodão Doce. A mãe de uma criança de um ano e três meses relatou que “as crianças vão ser remanejados para o Algodão Doce, mas a maioria dos pais não tem condução. São muitos anos de história pra acabar assim, e ainda por corte de custos. Não houve reunião, ninguém explicou nada”.

Ela e outros pais demonstraram preocupação com a superlotação na nova unidade. “Não é só a distância, é a quantidade de alunos. Pode sobrecarregar os professores e prejudicar as crianças”, opinou. 

Prefeitura e Secretaria de Educação não se manifestaram

A equipe do Nossas Notícias tentou contato com a secretária de Educação, Sandra Mara Brambilla Hacke, e com a Prefeitura de Rio Negrinho, por meio da assessoria de imprensa, para esclarecer os motivos do fechamento da EMEBI Padre Doutor Tomás Gasser e do CMEI Arco-Íris, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação da administração municipal.

 

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