
BRASIL. A rede de lojas Havan, do empresário Luciano Hang, retirou do ar uma série de vídeos publicados em suas redes sociais que mostravam pessoas supostamente cometendo furtos em unidades da empresa. A decisão ocorreu após uma notificação enviada no fim de junho pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que apura possível violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A notificação foi motivada por uma denúncia feita em maio pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O órgão questionou a legalidade da exposição pública dos rostos e locais de origem das pessoas mostradas nas imagens, veiculadas em uma série chamada “amostradinhos do mês”.
A ANPD informou que o caso não configura, por enquanto, uma punição, mas sim um processo de fiscalização com foco em orientação. A empresa foi instruída a adequar sua política de privacidade e incluir dados de contato do responsável pelo tratamento das informações pessoais. Segundo a autoridade, a Havan atendeu às exigências e apresentou defesa, que agora está sob análise técnica. O processo será encaminhado ao Conselho Diretor da ANPD.
Desde 2024, a Havan publicava vídeos em que câmeras de segurança flagravam pessoas supostamente furtando produtos das lojas. As imagens revelavam claramente o rosto dos envolvidos e indicavam em qual cidade o fato havia ocorrido. Além de mostrar o momento da abordagem, os vídeos traziam frases como: “Além de ir para a delegacia, fica famoso nas redes sociais”.
A série dividiu opiniões na internet. Enquanto parte do público elogiava a exposição como uma forma de combate à impunidade, outros apontavam possíveis abusos, constrangimento público e desrespeito à legislação de proteção de dados e à presunção de inocência.
A Havan, por sua vez, defendia a prática como uma forma de coibir pequenos delitos. “Não podemos aceitar o errado como verdadeiro”, afirmava a empresa em algumas postagens.





