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“Cenário não é promissor”, diz presidente do Sindicato dos Moveleiros de Rio Negrinho, sobre tarifaço americano

“Cenário não é promissor”, diz presidente do Sindicato dos Moveleiros de Rio Negrinho, sobre tarifaço americano

“Cenário não é promissor”, diz presidente do Sindicato dos Moveleiros de Rio Negrinho, sobre tarifaço americano

RIO NEGRINHO. Diante das novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados do Brasil, como aço, alumínio e móveis, a equipe do Nossas Notícias conversou com Enrico Stoeberl Fagundes, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Rio Negrinho (Sindicom) e também diretor da empresa Miller Interiores, para entender os impactos diretos na economia regional.

Segundo Enrico, os efeitos já começaram a ser sentidos na região, principalmente por empresas que exportam diretamente para o mercado norte-americano. “Algumas já tiveram pedidos cancelados, inclusive cargas que estavam em navios retornaram. Outras ainda tentam negociar com os clientes, mas o cenário é de incerteza”, relatou.

Além disso, ele revelou que algumas empresas anunciaram demissões imediatas e a redução do quadro de funcionários. “Isso é só o começo. Os impactos vão se agravar ainda mais. O reflexo é momentâneo agora, mas em breve teremos uma queda significativa na mão de obra”, alertou.

Atualmente o sindicato patronal conta com cerca de 40 associados entre indústrias moveleiras e da construção civil. Enrico afirma que ainda não há uma estimativa exata de quantas empresas da cidade serão atingidas, já que muitas não são associadas ao sindicato. No entanto, ele acredita que todas, de forma direta ou indireta, sentirão os efeitos das tarifas — algumas de forma imediata, outras a longo prazo.

Para enfrentar o cenário, o sindicato está em diálogo com a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e com a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), buscando alternativas para ajudar o setor a atravessar esse momento crítico. “Estamos tentando encontrar alternativas. Mas é uma guerra econômica e política. Não vejo sinais de melhora, não só para o setor moveleiro, mas para todos os setores. O impacto será grande na economia, com redução na entrada de pedidos e desaceleração geral da atividade”, avalia.

O tarifaço de Trump impôs taxas que variam entre 25% e 50% sobre o aço e o alumínio brasileiros, e o governo norte-americano já anunciou que pretende implementar novas “taxas recíprocas”. As medidas também atingem produtos de outros países, como Canadá, México e China, afetando os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos e provocando promessas de retaliação no cenário internacional.

Outro fator que agrava a situação é o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A alíquota para operações de crédito com empresas voltou ao teto de 3,38% ao ano. Para empresas do Simples Nacional, a alíquota é de 1,95% ao ano, e para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), o imposto é de 0,38% sobre a compra de cotas primárias. “Esse aumento no IOF complica ainda mais”, comentou Enrico.

Ao final da entrevista, ele deixou um recado aos empresários e trabalhadores do setor moveleiro: “É preciso ter cautela e se preparar para o pior. O cenário não é promissor. Estamos entrando numa guerra econômica e política, e isso veio num momento muito ruim. Vai causar muito desconforto e retração econômica, interna e externamente.”

“Cenário não é promissor”, diz presidente do Sindicato dos Moveleiros de Rio Negrinho, sobre tarifaço americano

“Cenário não é promissor”, diz presidente do Sindicato dos Moveleiros de Rio Negrinho, sobre tarifaço americano

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