
Um grave acidente aéreo causou comoção na manhã deste sábado (21) em Praia Grande. Um balão de turismo com 21 pessoas a bordo pegou fogo pouco após a decolagem, resultando na morte de oito passageiros e deixando treze sobreviventes. A tragédia mobilizou diversas equipes de resgate e deu início a uma investigação detalhada por parte das autoridades.
O balão decolou por volta das 7h da manhã, oferecendo um voo panorâmico com duração prevista de 45 minutos, operado pela empresa Sobrevoar Serviços Turísticos. Poucos minutos após a subida, segundo depoimentos colhidos pela Polícia Civil e relatos de sobreviventes, chamas começaram a sair da base do cesto, onde ficam os maçaricos responsáveis por aquecer o ar quente que mantém o balão em voo.
Conforme o delegado Tiago Luiz Lemos, que comanda as investigações, o piloto afirmou que tentou conter o fogo com o extintor que havia a bordo, mas o equipamento falhou e não funcionou. O incêndio rapidamente se alastrou, gerando pânico entre os ocupantes.
O balão começou a perder altitude, aproximando-se do solo. Treze pessoas, incluindo o piloto, conseguiram saltar do cesto antes que a estrutura voltasse a subir, aliviada pela perda de peso. Entretanto, com o fogo ainda presente, quatro passageiros saltaram quando o balão já estava novamente a alguns metros do chão e morreram ao atingir o solo. Outros quatro ocupantes não conseguiram sair a tempo e morreram carbonizados dentro do cesto.
O chamado de emergência ao Corpo de Bombeiros foi registrado às 8h21. Viaturas de resgate, aeronaves e ambulâncias foram deslocadas até a área rural de Praia Grande para prestar socorro.
Entre os 13 sobreviventes, cinco precisaram ser levados ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, mas já receberam alta. Alguns relataram que houve grande desorganização na tentativa de evacuar o cesto, com passageiros tentando abrir espaço e saltar, mesmo sem equipamento de segurança.
Entre os oito mortos no acidente aéreo com balão em Praia Grande, estão moradores de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. As cerimônias de despedida foram realizadas neste domingo (23), em diferentes cidades da região Sul do país.
Em Joinville (SC), serão velados Veraldo Rocha, de 53 anos, e Janaína Rocha, de 46. O casal estava no balão junto com a filha, que sobreviveu à tragédia. O velório está marcado para as 9h30 no Cemitério Parque Jardim das Flores.
No Meio-Oeste catarinense, mãe e filha também estão entre as vítimas fatais. Leane Herrmann, de 70 anos, e Leíse Herrmann Parizotto, de 37, serão veladas no Cemitério Parque Concórdia, com cerimônia prevista para as 17h. Leíse era médica e trabalhava em um posto de saúde de Blumenau.
Em Indaial (SC), familiares e amigos se despedem de Leandro Luzzi, 33 anos, profissional reconhecido na área da patinação artística. Ele atuava como patinador e também era diretor-técnico da Federação Catarinense de Patinação. O velório teve início às 6h da manhã, com sepultamento programado para às 17h.
Andrei Gabriel de Melo, de 34 anos, médico oftalmologista natural de Fraiburgo, também não resistiu aos ferimentos. Seu corpo está sendo velado na Câmara Municipal da cidade. O enterro será na manhã de segunda-feira (24), às 9h, no cemitério local.
Do Rio Grande do Sul, a vítima identificada é Juliane Jacinta Sawicki, de 36 anos, engenheira agrônoma. O corpo está sendo velado na comunidade Rui Barbosa, em Carlos Gomes (RS), desde as 7h. A cerimônia de sepultamento será realizada às 11h30.
O oitavo passageiro que perdeu a vida é Fábio Luiz Izycki, de 42 anos, companheiro de Juliane. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o local e o horário do velório.
A causa mais provável, segundo a Polícia Civil e a Polícia Científica, é que o incêndio tenha se originado em um dos maçaricos usados para inflar e manter o balão no ar. Trata-se de um equipamento padrão em balonismo, mas que exige manutenção constante.
O delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel, afirmou que o extintor a bordo falhou, comprometendo qualquer tentativa de contenção do fogo:
“Segundo o que foi identificado, o extintor não funcionou e não foi possível apagar [o fogo]. O balão acaba ficando leve em razão da saída dessas pessoas e sobe novamente”.
A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) foi acionada e acompanha o caso. Técnicos da agência devem avaliar se havia irregularidades operacionais, falha humana ou mecânica, ou se as condições climáticas colaboraram para o agravamento do acidente.
Apesar do céu limpo na hora da decolagem, havia previsão de instabilidade na região da Serra Geral, que será levada em consideração na apuração dos fatos.
A empresa Sobrevoar Serviços Turísticos, responsável pelo voo, atua no setor desde setembro de 2024. Em nota, informou que possui autorização da Prefeitura de Praia Grande e segue todas as normas exigidas pela ANAC, negando qualquer tipo de negligência.
“Trabalhamos com seriedade e cumprimos todas as normas da ANAC. Infelizmente, mesmo com todas as precauções e com o esforço do piloto, sofremos com essa tragédia. Estamos à disposição das autoridades para colaborar com a investigação”, diz o comunicado da empresa.
Todas as atividades da empresa estão suspensas por tempo indeterminado. Familiares das vítimas estão recebendo apoio psicológico e estrutura de acolhimento oferecida pela Defesa Civil municipal e estadual.
O acidente gerou forte comoção na comunidade de Praia Grande, conhecida como um dos principais polos de turismo de aventura em Santa Catarina. A cidade é famosa pelos voos de balão sobre os cânions da Serra do Faxinal e costuma atrair turistas de todo o Brasil.
As autoridades pedem que vídeos, fotos ou informações relacionadas ao voo sejam encaminhadas à Polícia Civil, para ajudar na elucidação do caso.
As investigações continuam e os laudos periciais devem ser concluídos nos próximos dias.





