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Em júri popular, um é condenado pela morte de Evandro de Lima em Rio Negrinho

RIO NEGRINHO. Diego Mulbauer Virmond foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão em regime inicialmente fechado e Tiago Custódio acabou absolvido em júri popular que aconteceu hoje (15), na Câmara de Vereadores. De acordo com o juiz Rubens da Silva Neto, as partes podem recorrer.

Diego e Tiago foram acusados por envolvimento na morte de Evandro Alves de Lima, após uma briga que começou na Lage do Pires, no interior da cidade, no dia 13 de dezembro de 2020. 

No júri de hoje, que começou às 09h, os dois foram acusados por homicídio qualificado e Diego também pelo crime de disparo de arma de fogo em lugar habitado ou via pública. 

Depois da briga na Lage, Evandro, foi com amigos e familiares para uma chácara com  galpão no São Pedro, onde o grupo já costumava se reunir. Ali ele foi baleado na cabeça por Diego, que chegou depois, vindo a falecer na UTI do hospital de Mafra, para onde foi transferido pela equipe do hospital de Rio Negrinho. Tiago foi acusado de ter levado Diego até o local e após o crime ter lhe dado fuga.  

O caso, na época, ganhou grande repercussão porque houve um desentendimento envolvendo familiares e amigos de Evandro e profissionais do hospital. Alegando principalmente demora no atendimento, o grupo que acompanhava ele acabou depredando algumas áreas do hospital, em meio à discussão com alguns profissionais. 

O que argumentaram acusação e defesa, após diversos depoimentos, laudos e dados colhidos no decorrer do processo

O promotor Dr. Lucas Gabriel Scheidweiler, que atuou na acusação dos réus, destacou que Evandro, a vítima, não participou da briga na Lage dos Pires. Conforme ele, Evandro apenas tentou separar a briga que houve entre seu grupo contra o grupo de Diego. Um agravante, conforme ele, foi que já na saída do local, Diego ameaçou pessoas do grupo de Evandro. 

Porém, ao encontrar Evandro e seu grupo já no galpão no bairro São Pedro, Diego acabou atirando na cabeça de Evandro. Isso aconteceu depois que Evandro viu que Diego estava armado e acabou entrando em luta corporal com ele, na tentativa de impedir que alguém fosse ferido. 

“Na luta corporal com Diego, Evandro cai de bruços no chão, e nesse momento é baleado”, destacou o promotor, apontando a impossibilidade da vítima se defender bem como a gravidade do crime em si. 

A advogada Cristiane Pereira, do escritório Vellasques, Negrelli & Associados, atuou na defesa de Tiago. 

Ela salientou que Tiago não tem nenhum antecedente criminal e que no dia do crime apenas deu uma carona para Diego, sem saber que ele acabaria atirando em Evandro. 

“Além disso, Tiago se apresentou voluntariamente na Delegacia de Polícia três dias após o crime e nada de ilícito foi encontrado pela Polícia Civil nas buscas realizadas em sua casa. Recolheram o celular, mas o que tinha eram fotos e vídeos de carros, músicas e nada que desabonasse seu comportamento”, falou. 

A advogada frisou ainda que Tiago está preso há 576 dias, em função da ocorrência. 

“Está preso injustamente. Quando levou Diego embora das proximidades do local onde o crime aconteceu, não sabia que Evandro havia sido morto”, garantiu. 

Já a advogada Arilenes Linzmeyer admitiu que seu cliente, Diego, teve responsabilidade sobre a morte de Evandro. Ela frisou que em função do crime, o réu merecia uma punição, mas que “fosse justa”, o que em sua tese seria a condenação por homicídio privilegiado e não por homicídio qualificado. 

“Condenem, mas da maneira correta. Diego não foi ao galpão onde Evandro estava com seu grupo, na intenção de matá-lo mas sim, para tirar satisfação, pois tinham uma desavença antiga e Evandro naquele dia havia ameaçado Diego e também sua avó. Houve fatos que tiraram ele de si e que motivaram o crime”. 

Sobre a realização do júri

Os réus foram pronunciados e houve recurso. O processo tramitou no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e com o retorno dos autos, foi designada a sessão de julgamento para o dia 15. O sorteio dos jurados foi realizado no dia 29 de junho. 

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