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“Não combinamos entrega para ser feita na nossa casa e não conhecemos quem entrou no pátio”, garante dona de pitbull que atacou idoso em Rio Negrinho


RIO NEGRINHO. Uma situação dramática marcou a segunda-feira (11) do senhor Arnaldo Lorena Gomes, de 60 anos, de sua família e de várias outras pessoas. Por volta das 16h53 deste dia, ele foi atacado por um pitbull quando entrou em uma residência no bairro Campo Lençol. 

A ocorrência foi atendida pelos bombeiros e pela Polícia Militar e causou bastante comoção na cidade, tanto pelo fato em si quanto pelo fato de seu Arnaldo, mais conhecido como “Canivete”, ser  uma pessoa bastante popular. 

Em meio a vários comentários e discussões, inclusive nas redes sociais, surgiram muitos questionamentos sobre como os fatos aconteceram e na busca de mais informações, nossa reportagem conversou com Caren Aline Martineli Paz, que tem um casal de pit bulls (o macho atacou o idoso) e também com Luiz Roberto Gomes e sua esposa Jaisla, respectivamente filho e nora de Canivete. 

Aqui trazemos o relato de Caren, (confira a entrevista com a família de seu Canivete clicando aqui), que falou que no dia da ocorrência pediu para que um de seus vizinhos recebesse uma encomenda para ela e lhe entregasse quando chegasse do trabalho, já que seu marido também trabalha fora.

Ela também contou que não conhece Canivete, da mesma forma que seu esposo e seu irmão, que também moram na residência. Conforme Caren, segundo seu vizinho lhe contou, o ataque foi uma fatalidade, o que ele também relatou à familiares de Canivete.

Ela destacou ainda que toda sua família também está muito abalada com a situação, que seu esposo mantém contato diário com um dos filhos de Canivete, que rezam por sua recuperação e que já se colocaram à disposição para ajudar no que for possível. Eles também esperam poder esclarecer tudo pessoalmente com a família de Canivete e de lhe dar um grande abraço.

“No domingo (10), uma moto acabou caindo no joelho do meu irmão. O levamos ao hospital, ele faz hemodiálise, tem os ossos mais fracos por conta do tratamento e ficou sem conseguir se locomover. Voltamos para casa e na segunda-feira comentei que não ia trabalhar fora para cuidar dele. Mas ele me tranquilizou e acabei indo. Só que como eu tinha uma mercadoria para receber e ele estava machucado, pedi que um vizinho recebesse a encomenda para mim e me entregasse quando eu voltasse. Isso porque já aconteceu de eu receber encomendas dele e vice versa. Ele concordou em receber novamente para mim e ficamos tranquilos, pois ele sabe que temos os cachorros e por isso não entra lá em casa se não estivermos.  Inclusive tenho as mensagens daquele dia salvas no meu celular”. 

Até que de tarde ela recebeu algumas mensagens de uma vizinha, moradora de outra residência, que não era a do vizinho que iria receber sua encomenda.

“Primeiro ela disse que tinha acontecido um assalto e estavam matando meu irmão. Quase morri do coração e liguei para o meu esposo, pois eu estava sem carro e ele poderia chegar mais rápido lá. Logo depois recebi outra mensagem dela, dizendo que meu pitbull estava matando um homem no meu pátio e eu fiquei pensando em como que tinha um homem lá”.

Em meio a tudo isso, Caren falou que uma cliente que estava atendendo, se ofereceu para ajudá-la. 

“Ela foi para casa, pegou o carro, me pegou no meu trabalho e fomos para minha casa. Foram momentos de muito desespero e quando cheguei já haviam levado seu Canivete. Meu marido estava desesperado, os policiais estavam conversando com ele e eu fiquei sem saber o que estava acontecendo. Nisso, vi o vizinho que ficou responsável de receber minha encomenda e perguntei o que estava acontecendo. Ele, naquela hora, só falou que ‘ele’ tinha entrado no meu pátio e o cachorro pegou. Perguntei: ele quem? Ele respondeu: o Canivete! Daí perguntei quem é era o Canivete, porque eu não sabia”.

Segundo Caren, seu vizinho logo seguiu com pressa, pois a esposa de Canivete havia sido chamada ao local e ele foi levá-la ao hospital. 

“Depois é que ele contou. Ele disse que estava em casa com um amigo quando o seu Canivete, que fazia alguns serviços para ele e com quem tinha amizade, chegou em sua casa, tomou um café e ficaram conversando. Foi aí que o homem da entrega buzinou lá fora e eles disseram que seu Canivete podia ficar tomando café porque só iam ali na frente receber um pacote para os vizinhos e já voltavam. Mas falaram que quando viram, o seu Canivete passou por eles e disse que podiam deixar que ele recebia. Eles concordaram, viram o seu Canivete conversando com o entregador, ficaram esperando ele vir junto com eles e foram voltando devagarinho. Porém, quando olharam para o lado não o viram ali e acabaram vendo que ele estava no meu pátio, lá atrás, nos fundos de casa. O vizinho disse que perguntou o que ele estava fazendo lá e lembrou dos cachorros (Caren falou que tem uma placa de alerta na casa e também em volta do local uma grade alta, cheia de arame farpado em cima). Segundo eles, seu Canivete falou que achava que os cachorros não estavam ali porque não os tinha visto. Mas nisto um dos cachorros saiu de dentro do quarto deles (eles tem um espaço especial), seu Canivete se apavorou, saiu correndo e o cachorro pegou ele”.

“Os vizinhos tentaram acertar o cachorro com um cabo de enxada. Até que meu irmão, que vinha se arrastando de dentro de casa, chegou até a porta da cozinha, abriu e chamou o cão pelo nome; ele parou, olhou para o meu irmão e nessa hora os vizinhos acertaram um pouco ele. Meu irmão então mandou ele para o espaço deles, dos cachorros, e ele foi”.

Caren garantiu que seu cachorro nunca teve um gesto agressivo, que acredita que o cão agiu em defesa do seu território e que também pode ter se assustado ao ver uma pessoa estranha no pátio.

“Criamos esses cachorros como nossos filhos. Damos mamadeira, eles dormem conosco algumas vezes. Foram criados com nossos sobrinhos, sempre carinhosos, interagindo com todos”.

“A ficha do que realmente aconteceu não caiu até hoje. Sabemos que o sofrimento do seu Canivete e da família é muito maior, mas para nós não está sendo fácil, pois em momento algum imaginamos que uma coisa dessas poderia acontecer. Estamos traumatizados também, mas preocupados, acima de tudo, com a vida dele”. 

A família continuará com os cães e em função do acontecido, reforçou a segurança da casa, colocando um cadeado no portão. 

“Sempre deixamos o portão fechado e até então nunca ninguém tinha entrado aqui, pois tem a placa de alerta, as grades bem altas altas e o arame farpado. Mas não queremos nunca mais passar por outra situação como essa. Estou me recuperando do choque aos poucos, perdi a alegria de estar em casa, às vezes fico olhando para o pátio e me perguntando como que tudo isso foi acontecer. Já cheguei a me sentir culpada por ter ido trabalhar fora naquele dia. Se eu pudesse imaginar que qualquer coisa de ruim iria acontecer, teria ficado”. 

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