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“Foi um avanço, mesmo que pequeno, mas já uma vitória", diz Andressa Leithold, que junto com o marido Vanderlei vive da realização de eventos

SÃO BENTO SUL. Dando continuidade a série de reportagens que está abordando os impactos da flexibilização, por parte do governo de Santa Catarina, para a realização de eventos coletivos e sociais, o Nossas Notícias conversou com Andressa Leithold, que juntamente com o marido Vanderlei, vivem da realização de eventos. Ao Nossas Notícias Andressa destacou que acredita que assim como sua realidade, também vem sendo a realidade de muitas outras famílias que depende da realização de eventos para colocar comida em casa. Ela trabalha há cerca de oito anos como cerimonialista e assessora de eventos e o marido como fotógrafo, também de eventos. “Infelizmente não tínhamos reserva quando surgiu a pandemia. Vínhamos nos mantendo em função de recebimentos que estavam para entrar, de parcelamentos. Com esses valores conseguimos nos manter por um período, mas chegou o momento em que se tornou crucial o retorno”, cita ela. Em função da pandemia, novos casamentos não estão sendo programados pelos casais, lembra Andressa e o motivo não se limita apenas ao medo da contaminação pela doença, mas também pelo receio de querer investir e não conseguir realizar. “Esse motivo vem protelando novas contratações”, aponta. Não bastasse o comprometimento da renda, Andressa ainda aponta a falta de apoio por parte dos governantes para com o setor de evento. Ela cita o fato de ter buscado conversas com os prefeitos de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre ainda em 2020, mas sem sucesso. “São Bento não moveu uma palha. Em Rio Negrinho foi um pouco diferente, mas não estava ao alcance deles”, conta. Falta de sensibilidade Ela considera que os governantes têm sido insensíveis com quem depende do setor de eventos. “Eles simplesmente te proíbem de trabalhar. Sem evento social, sem nenhuma ajuda para manter as empresas de pé. Inventam empréstimos que na verdade não ajudam, pelo contrário, só geram mais dívidas pois sem receita como serão pagos?”, indaga. Andressa cita ainda o fato de que o auxílio emergencial e outros apoios alardeados para ajudar os profissionais de eventos também não ficaram acessíveis para a maioria das pessoas por conta da burocracia. “Com relação a Lei Aldir Blanc, não consegui nem me inscrever, pois não havia nem a minha profissão no cadastro”, exemplifica. População vê promotores de eventos como vilões Outra dificuldade apontada por Andressa é a repulsa da população em relação com quem trabalha com eventos. Ela afirma ter lido comentários em redes sociais nos quais os profissionais iriam “exterminar a população com a realização de eventos. “Não fica claro para o povo que um evento organizado por profissionais é muito mais seguro que eventos feitos de forma clandestina. Nos enquanto profissionais temos o compromisso de manter nossos eventos em ordem, organizados, para que eles continuem e não para que sejam vetados. Temos o compromisso de fazer acontecer”, defende. Ela cita um episódio de um casamento realizado na pandemia durante o período que tais eventos estavam autorizada. “Houve liberação, mas com cobrança bem regrada, bem forte. Não teve pista de dança, não tinha DJ nem banda, apenas música ambiente. O casal respeitou a quantidade de convidados e seguiu todos protocolos sanitários”, diz. “Jamais aceitaria que houvesse contaminação num evento meu. Tomei todas as precauções, bem, diferente de um evento, uma festa na garagem, ou ainda das pessoas que vão para sítios no interior e se reúnem as escondidas. Lá está o perigo. Se liberar os profissionais de forma correta a contaminação será muito menor”, acredita. Novo decreto foi um avanço A respeito da flexibilização para a realização de eventos sociais como casamentos, aniversários e outras reuniões, desde o início do mês de maio, Andressa entende que foi um avanço, mesmo que pequeno. “Entendo que isso já seja uma vitória e que de alguma forma deveria começar”, diz a cerimonialista. Andressa diz que para o ano que vem boa parte da agenda de eventos será para compensar os casamentos adiados, mas que já estavam programados. “Os reagendamentos vem tomando conta das datas de 2022. Eu e meu marido, somando nossos eventos, adiamos mais de 40 eventos para o ano que vem”, detalha. “Agora começa a abrir a esperança para os casais. Há uma esperança no fim do túnel pois se começa também a controlar pandemia, mesmo que aos poucos, mas de forma organizada”, diz. Em São Bento do Sul, apesar do decreto estadual, segue-se um decreto municipal, que mantém ainda restrições, entre elas a não realização de eventos sociais. Buscando alternativas Palavra que se tornou bastante comum no vocabulário da pandemia o “reinventar-se” também entrou para a rotina de Andressa e Vanderlei. Ela começou a prestar assessoria online para casais e também passou a produzir conteúdos digitais. O marido abriu um estúdio para transmissão de lives com foco em anúncios de empresas. “Infelizmente muitas pessoas ainda não estão vendo a realidade do que todos nós estamos passando. Assim como nós que temos oito e dez anos de profissão, tem gente que está nesse ramo a 20, 30 anos. O que faz com o investimento? Vai jogar no lixo? Todos estão lutando para reestruturar suas empresas, seus negócios”. “Fico feliz com a liberação por parte do governo do Estado para a realização dos eventos, mas, por outro lado, a falta de sensibilidade de muitas pessoas machuca muito. Esse mesmo povo que no final de semana vai passear, que vai com a família toda no supermercado, são as pessoas que estão sendo juízes da gente”, desabafa. Com relação as medidas restritivas ainda em vigência em São Bento do Sul, Andressa considera que são um castigo para os profissionais. “Eles estão sem receber o pessoal na prefeitura, sem entender o que estamos passando. Estamos proibidos de trabalhar, mas temos que honrar com nossos impostos, isso incomoda bastante”, cita.   Promoções

                                                                                               
   
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