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Ex-secretária de Saúde, Fátima Afonso fala sobre os desafios encontrados em meio ao surgimento dos primeiros casos de Covid-19 em Rio Negrinho

RIO NEGRINHO. Se estar no comando de uma secretaria municipal já um grande desafio, imagine a da saúde, especialmente num momento de gravidade como a da pandemia de Covid-19. Essa foi a missão da fisioterapeuta Maria de Fátima Mendes Afonso, que esteve a frente da pasta, desde o início da pandemia em março de 2020 até dezembro do mesmo ano. Ela falou à reportagem do Nossas Notícias sobre as ações e estratégias colocadas em prática para o enfrentamento ao vírus que se hoje ainda intriga médicos e cientistas, em março de 2020 ainda era totalmente desconhecido. Um dos primeiros desafios  Fátima conta que um dos primeiros desafios foi unir forças com as demais pastas municipais e outros órgãos públicos, visto que a pandemia obrigou mudanças de hábitos e a adoção de medidas de contingenciamento para diminuir o impacto da doença em Rio Negrinho. Comitê Uma das primeiras medidas tomadas foi a criação de um Comitê de Combate ao Coronavírus, constituído por um diretor técnico, além de coordenações de atenção básica, vigilância epidemiológica, coordenação de saúde bucal e a própria secretária. O grupo traçou estratégias a partir de dados da vigilância epidemiológica em consonância com o Estado e Ministério da Saúde. “Foram realizadas inúmeras reuniões com médicos e coordenadores de unidades de saúde para uniformizar os procedimentos e organizar o protocolo de atendimento”, explica Fátima. Reuniões também ocorreram de forma quinzenal com a equipe da Fundação Hospitalar nesse período. “Também fomos para a mídia levar a informação para orientar e esclarecer a população sobre a gravidade da doença. Em momento algum nos cansamos de falar do assunto”, diz ainda a ex-secretaria. Boletins diários Também foi instituído o sistema de boletins diários com atualização dos números da doença no município e orientações de prevenção, que passaram a fazer parte da rotina dos rio-negrinhenses. Em diversas ocasiões ainda foram realizadas barreiras sanitárias educativas em locais estratégicos, para orientação e aferição de temperatura, conforme ela. Centro de Triagem Rio Negrinho também foi um dos primeiros municípios na região a implantar um Centro de Triagem para quem apresentasse sintomas gripais relacionados ao coronavírus. “Nossa opção foi para preservar tanto a população como também os profissionais de saúde”, diz a fisioterapeuta. Com recursos federais, o município contratou médicos e enfermeiros para atendimento exclusivo dos casos de Covid-19 no Centro de Triagem. “A intenção foi que esses profissionais fossem exclusivos do Centro de Triagem para atender casos de Covid-19 seguindo um protocolo. Achamos melhor adotar esse sistema do que deslocar médicos de outras unidades para esses atendimentos, porque poderíamos evitar que os profissionais da linha de frente adoecessem todos simultaneamente”, explicou. Primeiro rio-negrinhense positivado e primeiro óbito Se hoje o município contabiliza mais de 2,2 mil casos de pessoas que já contraíram a doença, há menos de um ano, exatamente em 1º de abril de 2020, registrava-se o primeiro caso de um rio-negrinhense positivado com o coronavírus. Em 31 de dezembro do ano passado esse número atingiu a casa dos 1.270 casos, porém com 1.183 pessoas recuperadas. Em 30 de julho de 2020 a cidade registrava o primeiro óbito em decorrência da doença. A paciente, de 68 anos, estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Além dela, outras seis mortes em decorrência da doença seriam contabilizadas até 31 de dezembro daquele ano. Medicamentos e insumos Fátima cita que desde o início da pandemia uma das metas da Secretaria foi de investir todos os recursos vindos das esferas estadual e federal na aquisição de medicamentos e insumos como máscaras, luvas, aventais e outros itens de primeira necessidade. “Nossa preocupação sempre foi adquirir produtos de qualidade e em quantidade suficiente para os profissionais de saúde, lembrando da dificuldade em conseguir esses insumos”, cita. Ela lembra ainda a respeito da chamada pública realizada pela prefeitura no ano passado, na qual as empresas vencedoras confeccionaram máscaras as quais foram distribuídas para a comunidade de forma gratuita, sendo duas por rio-negrinhense. Além disso, Fátima lembras inúmeras pessoas confeccionaram máscaras e as doaram voluntariamente. “Foram milhares de máscaras até que foram chegando as que havíamos comprado”, diz. Apoio de entidades O apoio de entidades também foi fundamental para amenizar os impactos do coronavírus na cidade na opinião da ex-secretaria. Ela cita o apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar durante as barreiras sanitárias adotadas durante a pandemia. “Tivemos muita ajuda, muitas pessoas envolvidas”, diz. “A Associação Empresarial foi responsável por custear durante um período as divisórias usadas no Centro de Triagem e a Igreja Santa Rita de Cássia, do bairro Industrial Norte cedeu mesas e cadeiras usadas no espaço. Também a Locomotive ( fábrica de cerveja sediada em Rio Negrinho ) nos forneceu pias para que as pessoas pudessem lavar as mãos no CT”, detalha ainda Fátima. Previsão de segunda onda Fátima também destaca o trabalho que vinha sendo realizado já prevendo uma segunda onda da doença. “Sabíamos que essa nova onda viria e como estratégia para tal prevíamos centralizar pontos nos bairros São Rafael e Industrial Norte para poder atender a população com alguma sintomatologia de Covid-19, além do Centro de Triagem”, cita. Ao final a ex-secretária considera que com todas as dificuldades e desafios impostos pela pandemia, durante os dez primeiros meses da pandemia, Rio Negrinho enfrentou com sucesso a doença, com um número reduzido de casos de óbitos e mantendo o atendimento às demais patologias. “Nesse período não houve infestação do mosquito da dengue na cidade, houve controle rigoroso da febre amarela, mantidas as atividades de vacinação e continuados vários projetos em andamento”, comenta. A fisioterapeuta ainda diz se solidarizar com os familiares daqueles que vieram a falecer por essa cruel doença e espera que o governo federal se organize para que a vacinação seja ampliada e o país o estado e o município consiga conter a pandemia e retornar ao seu estado normal. Promoções

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