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Alexson Oliveira, o peregrino da vida e das ruas

RIO NEGRINHO. “Oi, Katia. Atrás do ponto de ônibus ao lado da loja Breithaupt, tem um andarilho que montou uma pequena barraca. Ele anda com um cachorro na corrente, bem limpinho o cão. Hoje na hora que fui sair pra vir almoçar, passei ao lado do ponto de ônibus e tive uma surpresa. O andarilho carpiu tudo e varreu o mato de volta do ponto, deixando muito bonito. Isso me chamou a atenção, pois nunca vi alguém fazer isso. Pensei em você, talvez caberia uma boa reportagem”. Essa foi a primeira mensagem que recebi de Edo de Paula, funcionário das Lojas Breithaupt ( BR 280 ) nesta semana. Continuamos conversando na sequência sobre a sugestão de pauta e foi através dela que fui ao ponto de ônibus em uma manhã desta semana, quando conheci Alexson Oliveira, de 34 anos e Billy, seu cão de estimação. Muito bem articulado nas palavras, é um “transgressor do sistema”. Contou sobre seus estudos de Metafísica, Biologia, Bíblia e outras áreas do conhecimento. Tem diversas teorias a respeito da sociedade e da vida. Alexson contou que é natural de Joinville (SC), tem mãe e uma família padrão. Trabalhou como motoboy e na noite era “Rick Stripper”. “A vida na noite é de promiscuidade, imoralidade, libertinagem, adultério, fornicação … todas essas características negativas”, comentou ele, que disse ter se afastado dessa vida quando foi morar com uma namorada, com quem teve um filho. E foi quando assistiu o parto desse filho, a quem define como o ser que lhe fez entender o que é o amor genuíno, que Alexson disse que começou a se questionar sobre a vida e seu sentido. E foi exatamente o resultado dessa busca, que foi o gatilho para que posteriormente se tornasse um andarilho. “Eu comecei a estudar e quando disse para minha esposa que eu tinha descoberto o verdadeiro nome de Jesus, que é Yauhushua e tudo o que isso significa de verdade, ela achou que eu estava em depressão, que estava louco … Porque ela conheceu um personagem, que era o ‘Rick Stripper’, mas não me conheceu além desse personagem. Na verdade nem eu me conhecia até então”. A partir daí, se seguiram vários conflitos, Alekson disse ter ficado dividido entre permanecer com a família e seguir o padrão de vida que entendia ser verdadeiro. Nesse processo, se envolveu com drogas e o casamento acabou. Ele voltou para a casa da mãe, entrou em depressão, seguiu os conselhos de procurar psicólogos, terapeutas, medicação e religiões. Mas não se enquadrou em nenhum formato. Até que em função dos conflitos internos e em família, acabou se tornando um andarilho. Já passou por diversas cidades do Brasil. Nessas tantas idas, às vezes conta com ajuda financeira de amigos e de algumas pessoas que o seguem em sua página no Facebook. Ele é andarilho há seis anos, usuário assumido de drogas que ele define como naturais, como maconha e cogumelos. Já teve recaídas no crack e nesses seis anos, intercalou meses na casa da mãe, em Joinville e meses nas estradas. Chegou em Rio Negrinho no ano passado, ficou um pouco na rodoviária, vendeu artesanato e depois foi para Volta Grande e Serro Azul. De lá, acabou chegando em um camping na Cachoeira Véu de Noiva, em Doutor Pedrinho (SC). “Me ofereci para ficar lá e em troca, eu limpava e ajudava a cuidar do lugar. Me identifiquei muito com aquele espaço, cheio de natureza, acordava ouvindo o canto dos pássaros. Sentia como o ‘meu’ lugar. Mas passou um tempo e o responsável disse que eu teria que sair. Fiquei muito triste porque por um momento tive esperança de ficar lá permanentemente”. De lá, Alexson conseguiu uma carona para voltar para Rio Negrinho e como não queria mais dormir nos arredores da rodoviária, lembrou do ponto de ônibus na BR. Ele contou que a limpeza que estava fazendo no ponto do ônibus, costuma fazer em todo lugar que chega. “Não é para me promover. Mas é porque entendo que é uma questão de metafísica. Num lugar sujo, cheio de mato, de ervas daninhas e desorganizado, não vão vibrar boas energias. Não é só uma questão de limpeza física, do lugar em si; mas sim uma limpeza do ambiente. Para eu manter minha mente limpa, meu equilíbrio interno, preciso estar num lugar assim também. Toda cidade tem um prefeito e às vezes as pessoas pensam que é o prefeito, a prefeitura que tem que limpar as ruas e os espaços públicos. Mas para qualquer cidade ser limpa, as pessoas tem que colaborar também. Tem muita coisa que as pessoas mesmo podem fazer: tirar um mato, varrer folhas, manter a limpeza… Não precisa esperar a prefeitura”. E realmente, Alexson deu “outra cara” para o ponto de ônibus. Transformou embalagens de lanche (aquelas de isopor ) em cinzeiro ( muitas pessoas usam o ponto para fumar diferentes tipos de cigarro), pendurou um saco de lixo em um dos pilares da estrutura (muitas pessoas para ali para esperar o ônibus e também para comer ).   Alexson sobrevive dos artesanatos que produz quando se sente equilibrado para dar vazão à sua criatividade e também pede doações diversas em diferentes locais. Disse que procura não incomodar a vizinhança e que montou uma barraca também para proteger “Billy”, tendo em vista o frio e as chuvas dos últimos dias. Acorda cedo e pretende ir para Curitiba ( PR ) nos próximos dias. “A minha vontade mesmo era ganhar uma bicicleta, em que eu tivesse como levar o cachorro também. Ia ser melhor”, finalizou.  Promoções    ]]>

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