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Família do rapaz baleado em Rio Negrinho dá a sua versão sobre o ocorrido no hospital neste domingo (13)

RIO NEGRINHO. Familiares de Evandro Lima, o rapaz que morreu após ser baleado na cabeça em decorrência de uma briga que ocorreu em Lage dos Pires, interior da cidade, neste domingo, conversou com a reportagem do Nossas Notícias no início da tarde de hoje. Além deles, da conversa participaram também pessoas que acompanharam os últimos instantes de vida do jovem. De acordo com o grupo, o rapaz estava com familiares e amigos na Lage e foi separar uma briga que envolveu um de seus sobrinhos e alguns amigos e um grupo de rapazes. Segundo eles, Evandro não estava envolvido na briga, ao contrário do que tem circulado nas redes sociais a partir de um vídeo que mostra vários jovens se agredindo. O grupo então resolveu sair da Lage. Como eram muitas pessoas, estavam em vários carros e um amigo vinha de moto. Esse amigo então, acabou capotando a moto e eles resolveram ajudá-lo, indo até sua casa no bairro São Pedro. No local, Evandro foi baleado na cabeça por um dos envolvidos na briga que aconteceu na Lage. Amigos que estavam com ele, relataram que acreditam que o alvo dos tiros não era Evandro, mas ele acabou sendo atingido porque se abaixou ao lado de um carro, na tentativa de pegar um tijolo para se defender dos disparos e conter o atirador, que foi embora logo depois no carro de um amigo que lhe deu fuga. “A gente não sabia o que fazer, porque fomos pegos de surpresa. Alguns falaram em chamar a ambulância, mas achamos que poderia demorar, então decidimos levar ele no carro de uma pessoa do grupo que emprestou o veículo. E uma amiga nossa, juntamente com uma das irmãs de Evandro e outros, foi dirigindo o carro até a Fundação Hospitalar. Estávamos apavorados, no momento dos tiros, inclusive teve um amigo nosso que pegou uma criança, filha de uma amiga do grupo também, e se escondeu com ela na mata. Estavam numa descida, foram rolando. Então foi um momento de muita tensão. O Evandro estava respirando ainda e a gente ficou conversando com ele, pedindo pra ele aguentar até o hospital”. Quando chegaram no hospital, o grupo disse que não foi na recepção em função da fragilidade de Evandro. “Quando chegamos vimos a porta de emergência ( onde são recebidos pacientes levados pelos bombeiros e SAMU ) aberta e fomos direto para lá. Mas viram a gente gritando e a porta foi fechada, não sabemos se foi eles que fecharam ou se a porta fecha sozinha. Começamos a gritar por socorro e a sacudir a porta, que estava bem frouxa, por isso os vidros quebraram. Nossa intenção era unicamente que ele fosse atendido com urgência, estávamos desesperados”.  Nesse momento, eles receberam o apoio de uma enfermeira, que saiu para prestar socorro. Daí, conforme contam, a porta foi aberta, Evandro foi colocado em uma cadeira de rodas, ainda fora do hospital e na sequência outros profissionais vieram auxiliá-los a recolher o rapaz. “Só falavam para a gente ter calma. Mas como íamos ter calma naquela situação? Levaram o Evandro para a sala, arrastado pelos pés, como aparece em um dos vídeos que está circulando nas redes sociais. Ajudei ainda a colocá-lo na maca também. Mas depois nos trancaram numa sala e não nos davam nenhuma informação de como ele estava”. A pessoa que dirigiu o carro levando Evandro até o hospital contou que os profissionais que fizeram o primeiro atendimento disseram que primeiro iam atender o rapaz, que estava em estado grave, e pediu para que outros dois acompanhantes, que se machucaram ao tentar abrir a porta, aguardassem atendimento em outra sala. “Então eu saí para tirar o carro da frente da porta de emergência, dei a volta com o carro e voltei ali e o Evandro ainda não tinha sido encaminhado para atendimento mesmo. Entre eu sair e voltar, demorou muito, uns dez minutos. Isso faz diferença na hora de salvar uma vida”.  Uma das mulheres que disse ter sido trancada em uma sala com outros acompanhantes, falou que arranjou um jeito de sair. “Fui empurrando a porta, que abriu sozinha e encontrei uma de nossas irmãs do lado de fora, que também procurava informações do Evandro. Teve um momento em que uma das enfermeiras me pegou pelo pescoço e me colocou contra a parede, então eu empurrei ela. Mas não agredi ela, como estão falando. Logo depois que consegui sair da sala, eles já chamaram a polícia e fiquei lá fora, conversando com a minha irmã”, falou uma das irmãs de Evandro. O grupo disse que entende que houve negligência por parte dos profissionais do hospital. “Demoraram muito para abrir a porta. Eles primeiro ficaram com medo porque a gente estava gritando. Se alguém tivesse aberto a porta com rapidez e tivesse explicado que ele seria atendido, nada disso teria acontecido”. Outra das irmãs dele disse que quando tudo já havia se acalmado e os amigos de Evandro que haviam ido junto ao hospital já haviam sido afastados pelos policiais, seus pais chegaram, juntamente de familiares mais próximos. ” Logo depois, algumas atendentes e enfermeiras saíram do hospital, começaram a nos xingar, a ironizar. Bateram palmas, disseram que que estávamos destruindo um patrimônio que era nosso e tudo mais. E uma delas nos chamou de vagabundos, isso foi o pior, principalmente naquele momento, que era de dor e a gente estava só esperando saber como o Evandro estava. Inclusive, até um policial que estava no local reprovou a atitude delas, afastou elas da gente e as levou para conversar”. Quando Evandro estava sendo transferido para a UTI de Mafra, sua mãe, que estava próximo à porta de emergência do hospital, passou mal. Uma das irmãs dele também reclamou do primeiro atendimento da equipe do hospital naquele momento. “Eles demoraram para atender ela. A gente começou a gritar, explicando que ela tem problema cardíaco. Aí é que atenderam. O que precisa é o atendimento ser mais rápido, principalmente na hora de desespero das pessoas”. Sobre as manifestações dos profissionais do hospital, que alegaram que foram agredidos pela família e seus acompanhantes, eles declararam que não houve agressão por parte do grupo, mas sim defesa. “Ela ( uma das sobrinhas ) não chegou nem a dar um tapa na enfermeira, ela só a empurrou, pra se defender. Ficamos chateados com a repercussão que o caso teve, porque quatro dias antes um recepcionista foi agredido por um policial militar que estava de folga e o caso não foi tão divulgado quanto o nosso. Ele, que é um PM, se revoltou porque queria rapidez no atendimento para o filho, que estava com febre. Imagina a gente, que estava com um familiar baleado na cabeça”, frisou uma tia de Evandro.  Eles finalizaram destacando que estão muito desgastados com toda essa situação, aguardam justiça e esperam que sua dor seja respeitada. Evandro tinha 26 anos, trabalhava em uma empresa, era casado e era pai de duas meninas e um menino. Depois de atendido no hospital de Rio Negrinho ele foi encaminhado para a UTI do hospital de Mafra, na noite de domingo mesmo, mas lá acabou não resistindo e faleceu. O que já foi publicado sobre o caso: POLÍCIA CIVIL JÁ IDENTIFICOU SUSPEITO DE TER MATADO EVANDRO DE LIMA Comparsa do acusado de ter matado Evandro Lima se entregou à Polícia nesta tarde em Rio Negrinho O que diz a PM sobre o tumulto na Fundação Hospitalar neste domingo em Rio Negrinho Funcionários da Fundação Hospitalar fazem manifestação silenciosa Hospital emite carta à população de Rio Negrinho Promoções ]]>

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