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POLÊMICA. Motoristas da Secretaria de Saúde de Rio Negrinho preparam manifestação na Câmara de Vereadores nesta quarta-feira caso projeto vá à votação e seja aprovado pelos parlamentares

RIO NEGRINHO. Motoristas da Secretaria de Saúde de Rio Negrinho procuraram a reportagem do Nossas Notícias para falar sobre seu descontentamento com o projeto de lei da prefeitura que conforme eles prevê o pagamento de até 60 horas extras por mês. Nossa reportagem se reuniu na manhã de hoje com Nelson, Ildemar, Michael, Ozéias, Adriano e Jean na casa de Nelson no bairro Cruzeiro. Eles adiantaram que estão preparando uma manifestação na sessão da Câmara de Vereadores desta quarta-feira (26), caso a proposta vá a votação e seja aprovada pelos vereadores. Eles também pediram que a comunidade compareça na Câmara para dar força ao movimento. “Se realmente for à votação esse projeto, nós contamos com o apoio da comunidade,que precisa ficar ciente do que está acontecendo”. 

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Os motoristas salientaram que se sentem injustiçados com a iniciativa pois chegam a fazer até 120 horas extras por mês, tendo em vista que transportam pacientes para diferentes cidades e que dependem dos trâmites dos atendimentos médicos para retornar para casa. “Prestamos concurso para trabalharmos das 07h às 11h30 e das 13h às 16h30. Porém, trabalhamos muito mais que isso. Em uma van,por exemplo, vão vários pacientes. Às vezes para lugares diferentes. Em muitos casos, tem pacientes que consultam mas o médico encaminha para exames. Temos que esperar eles fazerem os exames e muitas vezes esperar eles serem atendidos pelos médicos em uma segunda consulta no mesmo dia”.
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Segundo eles, esses são só exemplos de uma realidade pouco conhecida e reconhecida pela maioria das pessoas. “Trabalhamos no frio, no calor, de dia, de madrugada. De noite muitas vezes já chegamos a trocar pneu na chuva … Não reclamamos do nosso trabalho, estamos aí para atender a população e trabalhamos com satisfação. Mas não aceitamos trabalhar e não receber por isso”.
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De acordo com eles, a proposta da prefeitura prevê o pagamento de até  60 horas extras e de um banco de horas formado com as horas excedentes. Eles falaram ainda que conforme o projeto, se não usufruírem as horas do banco em até seis meses, não receberão pelo trabalho extra realizado nem em dinheiro nem em folga. “Esse projeto é inviável. Já pensou se um de nós fica com 150 horas extras no banco de horas? Como vamos ficar sem trabalhar? E mais: como os colegas vão trabalhar com um a menos por tanto tempo? Como a comunidade será atendida com qualidade?”, questionaram.
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Eles também enfatizaram que dos atuais 18 motoristas da Saúde, há quem acumule até mais de 300 horas extras de gestões anteriores, que foram pagas em folga durante um período. Porém, esta modalidade, segundo eles, teria sido cortada recentemente.  Os motoristas falaram também que se sentem surpresos que o prefeito Júlio Ronconi, que foi fundador e presidente do Sindicato dos Servidores, tenha sido o autor desta proposta.
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Além de ter preparado faixas com frases como “Horas trabalhadas, horas pagas”, que contaram que desejam colocar na frente da Câmara nesta quarta-feira, eles adiantaram que pretendem ir ao Ministério Público caso a proposta seja aprovada pelos vereadores.  “A questão é que não estamos recebendo as horas extras desde novembro do ano passado, antes mesmo de o projeto ser votado pelos vereadores. Gostaríamos que o prefeito viesse conversar conosco”.
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Além disso,os servidores prometeram cumprir apenas as horas normais de trabalho caso o projeto seja aprovado. Ou seja, não transportariam mais pacientes antes das 07h da manhã nem depois das 16h30.  Para evitar que o projeto de lei seja aprovado no Legislativo amanhã, os servidores estão contatando vários vereadores. Eles relataram que parlamentares lhes falaram que haviam combinado de votar favoráveis ao projeto, pois a presidente do Sindicato dos Servidores, Adriana Ribas, havia garantido a eles na semana passada que a classe estava de acordo com o projeto, fato que eles negam. Os motoristas disseram ainda que houve uma reunião entre motoristas e a presidente do Sindicato e que do encontro poucos teriam participado, tendo ainda alguns se manifestado contrários ao projeto desde aquele momento. O QUE DIZ A PRESIDENTE DO SINDICATO
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A reportagem do Nossas Notícias conversou com Adriana na tarde de hoje. Ela falou que foi procurada pelos motoristas quando o projeto enviado pelo prefeito estipulava apenas o banco de horas e que a pedido dos motoristas iniciou negociações com o prefeito, apresentando propostas dos próprios motoristas. “Inclusive no dia 13 de janeiro, quando eu estava de férias, me reuni com pouco mais de dez deles e eles mesmos apresentaram a proposta das 60 horas. Só fiz o que eles sugeriram! Atendi a todos que me procuraram, mesmo alguns não sendo sócios do sindicato. Me propus a fazer essa reunião com eles durante o recesso para ter tempo de protocolar a proposta deles na Câmara,assim que os vereadores reiniciassem os trabalhos. Tudo com o objetivo de impedir que o projeto fosse aprovado sem que esses servidores fossem ouvidos”.
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Adriana falou também que concorda com o pagamento de horas extras aos servidores. Porém reiterou que um excesso de horas extras também poderia comprometer o serviço realizado por eles. “Acho justo que recebam pelas horas a mais. Mas também penso que se um motorista faz horas extras demais em um mês  ele está pondo em risco a vida dele e a dos pacientes que transporta. Tem que haver um meio termo”.   
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Falando em ouvir, os motoristas também apresentaram um documento protocolado na Prefeitura onde consta o posicionamento contrário deles com relação a proposta. No texto, protocolado no dia 7 de fevereiro,  constam assinaturas de vários servidores da categoria. Eles reclamaram que esperavam uma resposta formal da administração mas não foram procurados oficialmente por ninguém para falar sobre o assunto.  Por fim, com relação a esta questão, os servidores ainda lamentaram o áudio que receberam de um vereador, questionando se eles já não haviam se reunido e combinado de concordar com a proposta e por qual motivo estavam “empiçando” tudo agora. Ainda segundo o parlamentar, os demais  vereadores já haviam combinado que votariam a favor do projeto. 
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Na manhã de hoje nossa reportagem conversou com o vereador Silvio Kuss (MDB). Ele disse que tinha concordado em votar favorável ao projeto na sessão de amanhã porque achava que os motoristas estavam de acordo com a proposta. Ele se comprometeu a votar contra o projeto e se manifestar na Palavra Livre, caso ele vá de fato à votação.  “A Adriana, presidente do Sindicato, disse que os motoristas haviam concordado. Ela viu o projeto e até nos chamou a atenção para um artigo que estaria faltando nele. Deu coincidência que ela estava na Câmara no dia da nossa reunião. Daí chamamos o Secretário Vilson Weiss e ele nos mostrou como o artigo constava no projeto. Tanto eu quanto os demais entendemos que estava tudo ok”. MÁS CONDIÇÕES DE TRABALHO
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Os motoristas aproveitaram a oportunidade para reclamar de más condições de trabalho. Segundo eles, foram instaladas três câmeras de segurança na sala onde devem ficar.  “E justo num local que é ruim para ficarmos. Investiram em câmeras de segurança mas não foram capazes de comprar cadeiras decentes para a gente sentar”. Eles finalizaram lamentando ainda a falta de alguém que acompanhe o rastreador instalado nos carros da Secretaria de Saúde.  “Esses dias fiquei dez horas trancado no trânsito e ninguém entrou em contato comigo para saber por qual motivo o carro da prefeitura estava há tanto tempo no mesmo lugar ou se eu precisava de alguma coisa. Mas garanto que se porventura eu tivesse precisado parar em um bar qualquer para ir ao banheiro, já ia ter polêmica sobre carro da prefeitura na porta de bar. Até hoje o rastreador não serviu para nada. Mas garanto que quando for para ferrar com algum de nós ele vai funcionar muito bem”. O QUE DIZ A PREFEITURA Nossa reportagem procurou hoje Fabiano Kutach, assessor de imprensa da prefeitura para saber qual o posicionamento da administração em relação às demandas dos motoristas. Ele disse que ainda não havia conseguido levantar as informações necessárias mas garantiu que a prefeitura se manifestará oficialmente amanhã. ]]>

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