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Como o cão aprende – parte 2

Kelen Sbolli é adestradora profissional de cães. Proprietária da Vita Canis, atende em Curitiba (PR) e em Rio Negrinho (SC). Escreve para o Nossas Notícias todos os domingos.  Contatos com a colunista podem ser feitos pelo zsbolli@yahoo.com.br ou pelo fone/whats (41) 9.99972754.  *************************************** Nesta semana continuaremos com o processo de entendimento do aprendizado do cão. Condicionamento Clássico O Condicionamento Clássico foi estudado há 100 anos pelo médico russo Ivan Pavlov e é a associação entre dois eventos, coisas ou situações. Os cachorros salivam só quando vêem comida? Em seus estudos, Pavlov queria saber como as funções digestivas dos cães se comportavam ao serem estimulados. Ou seja, ele queria entender como os reflexos condicionados eram adquiridos.  Quando um cachorro, ou mesmo uma pessoa, vê sua comida tem o reflexo natural de salivar pois seu sistema digestivo começa a funcionar.  Pavlov então colocou outro elemento. Ele mostrou que o cachorro podia salivar, sem que houvesse alguma comida por perto, apenas pela ação de outro estímulo. Ele fez o seguinte: toda vez que os cachorros eram alimentados, uma campainha era tocada. Depois de fazer isso várias vezes os cachorros começaram a associar a campainha à comida. Chegavam a salivar só de ouvir o som, mesmo que o prato estivesse vazio.  A comida, por si só faz os cachorros salivarem naturalmente, portanto é um estímulo não condicionado, é instintivo por assim dizer. Por outro lado, uma campainha tocando não faz com que os cães salivem, sendo necessário condicioná-los para que associem o som ao ato de serem alimentados. Assim, a campainha é um estímulo condicionado. A nova reação do cão é um reflexo ao estímulo e é uma resposta condicionada. Isso não quer dizer que o cachorro vai ficar salivando para sempre ao ouvir uma campainha. Se ele se acostumar de novo a ouvir o som sem ver a comida por perto, não irá salivar mais. Acabará o reflexo ao qual foi condicionado. Todos nós temos cães condicionados Todos nós temos cães condicionados de maneira clássica em alguma coisa. Por exemplo, quando pegamos o peitoral e a guia, o cão normalmente já associa a um passeio e começar a ficar frenético na maioria das vezes e se cada vez que pegarmos a guia falarmos a palavra “passear”, depois de algumas repetições, quando falarmos “passear” o cão entrará em excitação. Condicionamento Operante O conceito de Condicionamento operante foi criado pelo psicólogo Burrhus Frederic Skinner.  Enquanto Pavlov estudava uma reação refletiva a um estímulo condicionado, Skinner interessou-se em criar uma reação de comportamento específico a um estímulo através da introdução de um reforço. Vamos ao exemplo que ele utilizou. O experimento realizado é conhecido como “caixa de Skinner” onde era colocado um rato sem água ou alimento. Dentro da caixa o comportamento natural do rato era explorar aquele ambiente e a medida que andava aleatoriamente se aproximava de uma barrinha perto da parede. Neste instante Skinner introduzia uma gota d´água na caixa através de um mecanismo e o rato a bebia. As próximas gotas eram apresentadas quando o rato se aproximava um pouco mais da barra. A seguir só quando o rato encostava o nariz na barra e depois só as patas e assim por diante até que o rato estava pressionando a barra dezenas de vezes para saciar completamente sua sede. Skinner passou a chamar essa abordagem de condicionamento operante já que o comportamento do animal operava no ambiente (pressionar a alavanca) como uma resposta ao resultado esperado (obter a água). Ele demonstrou que tanto os animais quanto as pessoas manteriam certos comportamentos se recebessem uma recompensa (reforço) assim como parariam esse comportamento se fossem punidos. Exemplo prático que acontece no adestramento Um exemplo prático é o que acontece no adestramento. Quando ensinamos um cão a sentar e lhe damos uma recompensa estamos reforçando esse comportamento de sentar por um estímulo (ganhar a recompensa). Um reforço tanto pode ser uma recompensa quanto uma punição. Agora a coisa está ficando mais interessante para o adestramento de cães. Senão, vejamos: Tanto o reforço quanto a punição pode ser positivo ou negativo. Uma recompensa é qualquer coisa que aumente a freqüência de uma ação. Já uma punição é qualquer coisa que diminua a frequência de algo que não queremos que o cão faça. Ok. Reforço e punição estão explicados, mas onde entra o positivo e o negativo nisso? Positivo é quando estamos adicionando alguma coisa e negativo é quando estamos retirando alguma coisa. Resumindo, ficaria assim:

  1. Quando algo bom começa é Reforço Positivo
Exemplo: Cada vez damos o comando “senta” para o cão e ele faz o movimento correto, ganha um petisco.        2. Quando algo bom termina é Punição Negativa Exemplo: Depois que ensinamos o comando “senta” esperamos gradativamente mais tempo para recompensá-lo para que ele aprenda a esperar e ter autocontrole. Porém, se neste meio tempo ele começar a latir para ganhar a recompensa, nós imediatamente paramos de fornecer a recompensa até que ele encerre os latidos. Outro exemplo, quando andamos com o cão com um enforcador e ele andar calmamente, o enforcador ficará naturalmente frouxo, porém se ele puxar o enforcador apertará sua garganta.         3. Quando algo ruim começa é Punição Positiva     Exemplo: Quando damos trancos na coleira para que ele não puxe, ou choque para que ele execute o “deita” por exemplo.     Quando falamos sobre punição, normalmente nos referimos a punição positiva.       Este tipo de punição é extremamente desagradável para o cão e  desnecessária para o processo de aprendizado. O risco do cachorro desenvolver medo, ansiedade, agressão e viver numa situação de estresse é muito alto. Também é bastante comum o cão associar a punição ao seu dono/tutor e passar a ter medo dele.
  1. Quando algo ruim termina é Reforço Negativo
Exemplo: Quando estamos ensinando o cão a sentar e este não quer fazer o movimento, então apoiarmos a mão forçando a traseira do cão para baixo até que ele se sente, deste modo estamos adicionando um desconforto. Mas para que o cão se alivie daquele desconforto ele acaba se sentando, de modo que a retirada da mão da traseira dele seria o reforço negativo. Clicker:  O clicker é instrumento pequeno de metal que faz um pequeno barulho característico. É um marcador de comportamentos, uma forma de informar o cão que ele fez uma coisa certa, atuando como uma ponte entre a realização da tarefa solicitada ao cão e a obtenção da sua recompensa. O clicker deve ser associado a recompensa. Chama-se a atenção do pet, clica o aparelho e dá um petisco; repetindo isso várias vezes, o cão associa o “barulhinho” à recompensa. O clicker é um reforço secundário associado a um reforço primário. As vantagens do clicker é sua maior eficiência em comparação com um elogio falado. Existe diversos tipos de adestramento de cães Eu diria que são tão diversas quanto o número de adestradores. Cada treinador tem sua maneira peculiar de treinar. No entanto, qualquer técnica utilizada passa pelos métodos não associativos e associativos, condicionamento clássico e operante. Mas é importante perceber a técnica básica que adestrador utiliza. Se tem mais reforço positivo ou punitivo. A punição nunca é recomendada pois traumatiza o cão e causa mais problemas do que aqueles que soluciona.  ]]>

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