
SÃO BENTO DO SUL. Nesta terca-feira (3), foi comemorado o Dia Mundial da Bicicleta. Para marcar a data, o Nossas Notícias conversou com Othon Ricardo Fritz, um verdadeiro apaixonado por bikes e referência em restauração de bicicletas antigas no Brasil. “Com 15, 16 anos eu já gostava de coisa antiga. Encontrei nas bicicletas esse gosto especial. A minha primeira bicicleta, por exemplo, foi doada para o museu da cidade no dia 25 de maio de 2005 — levo essa data como o marco da minha primeira restauração”, conta ele.
Ao longo dos anos, ele se especializou cada vez mais, buscando sempre qualidade e autenticidade em cada peça restaurada. “Cada bicicleta tem um modelo, uma rosca, uma peça diferente. É um trabalho minucioso e apaixonante”, diz.
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Além de restaurar as “magrelas”, Othon é um apaixonado pelas histórias das bicicletas que chegam até suas mãos. Em 2018, ele fez um tributo a uma Harley-Davidson, após um pedido especial de um amigo e, desde então, já produziu diversas homenagens semelhantes. Seu trabalho ganhou visibilidade e hoje ele recebe bicicletas para restauração de todas as partes do Brasil.
Entre os modelos mais curiosos que já passaram por suas mãos está uma riquixá indiana original, que recém chegou na oficina — uma bicicleta adaptada para transporte de passageiros — e também uma raríssima bicicleta francesa.
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O trabalho de Othon toca muitas pessoas. Jovens o procuram para restaurar bicicletas que pertenceram a seus avós, em homenagem à memória da família. Já adultos e colecionadores querem reviver o passado, recuperando modelos que marcaram suas juventudes. “Tem colecionador que só curte bicicletas nacionais. Outros, só modelos alemães. Cada um tem seu estilo”, cita.
Além das restaurações, Othon também é um dos organizadores do Encontro de Bicicletas Antigas de São Bento do Sul, que acontece desde 2010. “A ideia surgiu do desejo de reunir os amantes das bicicletas antigas e desfilar com elas na Schlachtfest. O grupo que criamos, o Veterano Bike Club, começou assim, e hoje é uma grande rede de troca de experiências, peças e amizades”, destaca.
Atualmente, Othon é proprietário da Othon Restaurações, em São Bento do Sul. É lá seu refúgio, onde passa os dias envolvido no que ama fazer: restaurar e continuar a história das bicicletas — seja nas famílias, seja na memória coletiva.
Como surgiu a bicicleta?
A história da bicicleta começa no início do século XIX. O primeiro modelo considerado ancestral da bicicleta moderna foi a Draisiana, criada em 1817 por Karl Drais, um inventor alemão. Esse veículo de duas rodas não tinha pedais — as pessoas se impulsionavam com os pés no chão.
A bicicleta com pedais surgiu por volta de 1860, na França, com os irmãos Michaux, que criaram o velocípede, também chamado de “cavalo de ferro”, com pedais fixados diretamente na roda dianteira. Ao longo dos anos, engenheiros foram ajustando o design até chegar à bicicleta de segurança, em 1885, inventada por John Kemp Starley, na Inglaterra — com quadro em formato de losango, corrente e rodas do mesmo tamanho, muito semelhante ao modelo que usamos hoje.
Desde então, a bicicleta se transformou em símbolo de liberdade, mobilidade sustentável, lazer e também memória afetiva — como mostram as histórias de Othon e tantos outros apaixonados por ela.






